Dados, informação, conhecimento e inteligência em SST

Uma organização necessita conhecer, com exatidão, as ameaças e oportunidades presentes no ambiente, o que é possível através de um monitoramento das informações dos ambientes interno e externo. Como a organização não pode observar todos os eventos, ela deve selecionar áreas de prioridade, filtrar os dados de entrada de acordo com seus interesses e impactos. Os dados coletados devem se transformar em conhecimento que possibilite perceber ameaças e oportunidades e desencadear as ações decorrentes. (MORESI, 2001)

É crescente no Governo o “uso da informação de saúde do trabalhador” como instrumento tributário, que, aliado à também crescente complexidade da legislação de Segurança e Saúde do Trabalhador, força as empresas a considerarem, de forma efetiva, a Gestão da Informação de Segurança e Saúde do Trabalhador do ambiente interno como alternativa de neutralização das ameaças do ambiente externo. No entanto, são notórias as dificuldades de muitas empresas para se organizarem, de maneira a acompanharem essa complexidade e atenderem ao preconizado pela Norma Regulamentadora Nº 7, da Portaria 3.214/1978, do MTE (BRASIL, 1978), referente ao uso de instrumentos epidemiológicos na abordagem da relação entre saúde e trabalho.

O conhecimento e a priorização das ameaças e oportunidades para a Segurança e Saúde do Trabalhador têm uma importância significativa na definição das estratégias de intervenção que visam minimizar ou prevenir os danos à saúde do trabalhador. O uso desse conhecimento para traçar estratégias de ação pode ser denominado de decisão com enfoque de risco, e, quando aplicado na administração de serviços de saúde do trabalhador, mostra-se como instrumento de gestão, flexível e racional que permite a mensuração dos riscos individuais e coletivos, definir e distribuir recursos de forma priorizada, preparar estratégias de intervenção em nível local e determinar as ações de saúde que devem ser implementadas.

Essa ação de gestão da informação de Segurança e Saúde dos Trabalhadores pelas empresas repercutirá em impacto positivo para os programas de Promoção de Saúde do Trabalhador promovidos pelos Ministérios da Saúde e do Trabalho. Essas informações ampliam a visão das grandes causas de morbidade, incapacidade e morte, direta ou indiretamente relacionadas com o trabalho, e mesmo em relação às aparentemente não relacionadas. Isso insere as empresas no contexto da Responsabilidade Social e aponta na direção do “Trabalho Saudável”, como alternativa viável de médio e longo prazo para as empresas.

Gestão da Informação deve viabilizar os meios para organizar os dados, transformá-los em informação (dados com significação) e com a devida análise gerar o conhecimento necessário para permitir o uso desse conhecimento com inteligência para definir estratégias com competência em um processo de decisão.

Os dados de saúde dos trabalhadores que estão no ambiente interno da empresa podem ser organizados e a sua análise deve contemplar a identificação de informação relevante ou informação para ação que requer ação, seja de curto, médio ou longo prazo, facilitando a adoção de intervenções na forma de implantação de medidas preventivas, incluindo o estilo de vida, as condições e o ambiente de trabalho, determinando a minimização dos efeitos adversos sobre a saúde dos trabalhadores viabilizando a neutralização das ameaças externas e consequente redução de custo.

As informações de Segurança e Saúde no Trabalho referentes ao capital intelectual, representado pelas pessoas que “fazem a organização”, são estratégicas para a manutenção da competitividade da organização. Os trabalhadores são o principal ativo da organização, sendo assim, o cuidado com a saúde deles representa uma ação estratégica, ainda, muito pouco considerada pelas organizações de maneira geral.

Paulo Reis
Médico do Trabalho
Mestre Acadêmico em Ciência da Informação
Coordenador de Informação de Saúde da SIS

 


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